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Intestino e Performance – Relação que precisa de muito treino

Nos últimos tempos, alguns casos de atletas que precisaram evacuar durante a prova chamaram atenção. A cena pode parecer apenas curiosa ou constrangedora, mas, para quem trabalha com esporte, ela revela algo muito mais importante: o intestino também faz parte da performance.

Durante exercícios prolongados e de alta intensidade, o organismo redistribui o fluxo sanguíneo para atender principalmente aos músculos e ao sistema cardiovascular. Ao mesmo tempo, fatores como intensidade do esforço, calor, desidratação, ansiedade, alimentação pré-prova e consumo de carboidratos podem aumentar a chance de sintomas gastrointestinais.

Urgência para evacuar, cólicas, distensão abdominal, náusea e diarreia são queixas relativamente comuns em esportes de endurance. E quando esses sintomas aparecem no meio de uma competição, não existe estratégia nutricional ou física que consiga simplesmente “ignorar” o problema.

O intestino também precisa ser treinado

Um erro frequente é pensar apenas em treinar pernas, coração e pulmões para uma prova.

O atleta também precisa treinar a estratégia nutricional e a tolerância gastrointestinal.

Testar durante os treinos a quantidade e o tipo de carboidrato, a concentração das bebidas, o uso de géis, o intervalo entre as ingestões e a hidratação permite entender como o organismo responde antes de chegar ao dia da competição.

Afinal, não adianta ter uma excelente estratégia de abastecimento energético no papel se o intestino não consegue tolerá-la durante o esforço.

E por que alguns atletas “se sujam” durante a prova?

Não existe uma única causa.

A própria intensidade do exercício pode acelerar ou alterar o funcionamento gastrointestinal. Somam-se a isso fatores individuais, como o que foi consumido antes e durante a prova, quantidade de líquidos, calor, estado de hidratação, ansiedade e histórico gastrointestinal.

Em algumas situações, a combinação de esforço intenso + alimentação inadequada para aquele atleta + condições ambientais pode transformar uma estratégia que parecia perfeita em um problema em algum momento da prova.

Performance começa antes da largada

Cuidar do intestino não significa simplesmente “comer alimentos saudáveis”.

Significa entender o que o atleta tolera, em qual quantidade, em qual momento e sob qual intensidade de exercício.

A estratégia que funciona para um atleta pode causar desconforto em outro. Por isso, alimentação pré-prova, hidratação e reposição de carboidratos precisam ser individualizadas e, principalmente, testadas durante os treinamentos.

Porque no dia da prova não é hora de experimentar.

O intestino pode ser silencioso durante os treinos e se tornar o principal limitante quando a intensidade, a duração e o estresse da competição aumentam.

E talvez a melhor forma de evitar aquela parada emergencial no banheiro — ou aquela situação que ninguém quer viver durante uma prova — seja começar a tratar o intestino como parte do treinamento.

Performance não é apenas sobre quanto você consegue correr, pedalar ou nadar. É também sobre quanto do que você planejou o seu organismo consegue sustentar.

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