O papa Leão XIV foi diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar, um tipo de câncer de pulmão, nesta terça-feira, 13, informou o Vaticano. A confirmação ocorreu durante uma cirurgia para retirar um nódulo no órgão, cuja natureza maligna já era suspeitada por exames pré-operatórios.
Para remover o tumor, os médicos retiraram o lobo inferior do pulmão direito do pontífice, em um procedimento realizado com técnica videoassistida.
Segundo o boletim médico, a cirurgia durou cerca de 90 minutos e foi um sucesso, sem complicações.
Após o procedimento, Leão XIV acordou normalmente e, depois de um breve período de observação, retornou ao quarto no Hospital Gemelli, em Roma, onde permanece em recuperação.
O que é um adenocarcinoma pulmonar?
O carcinoma é um tipo de câncer que surge em tecidos epiteliais, isto é, nas células que revestem a pele e a parte interna ou externa dos órgãos, como os pulmões.
O termo adenocarcinoma, por sua vez, designa um subtipo que se desenvolve a partir de células especializadas na produção e secreção de substâncias. É um dos tipos mais comuns de câncer.
No pulmão, ele costuma surgir em células que revestem estruturas responsáveis pelas trocas gasosas. É o subtipo mais frequente no órgão, especialmente em pessoas que nunca fumaram.
Além do tabagismo, outros fatores associados à doença incluem a exposição ao fumo passivo, ao radônio, à poluição atmosférica e a determinadas substâncias cancerígenas, além de fatores genéticos.
Adenocarcinoma pulmonar é grave?
O adenocarcinoma pulmonar é um tumor maligno que pode comprometer o funcionamento dos pulmões e se espalhar para outros órgãos. Além disso, o câncer de pulmão é a principal causa de morte relacionada ao câncer em homens e mulheres de todo o mundo.
Ademais, o adenocarcinoma integra o grupo dos chamados cânceres de pulmão de não pequenas células. Estudos estimam que aproximadamente 44% dos pacientes com esse tipo de tumor apresentarão doença metastática fora do tórax no momento do diagnóstico.
Isso não significa, porém, que todos os casos tenham a mesma evolução. De acordo com o oncologista Ramon Andrade, do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil, o principal fator para avaliar a gravidade é o estágio da doença.
“Nas fases mais iniciais, há uma chance de cura em cinco anos de 90%. Na doença metastática, a chance varia em torno de 1 a 5%”, diz.
No caso do papa, ele explica que a realização de uma cirurgia é um sinal de que o quadro foi descoberto ainda no princípio. “Muito provavelmente, considerando que trata-se de uma doença operável, as chances de cura serão de 80 a 90%“, estima.
Isso porque, quando o tumor está restrito ao pulmão e pode ser completamente removido, existe a possibilidade de tratamento com intenção de cura. Nos casos em que há comprometimento de linfonodos ou metástases, a abordagem costuma ser mais complexa.
Por isso, o nome do tumor, isoladamente, não permite estimar as chances de recuperação. É necessário considerar os resultados dos exames de imagem, a análise do tecido tumoral e, quando indicado, a investigação de alterações moleculares que possam orientar o tratamento.
Quais são os sintomas?
O adenocarcinoma pulmonar pode permanecer assintomático nas fases iniciais. Mesmo alguns pacientes com doença avançada não apresentam sinais evidentes no momento do diagnóstico.
Quando aparecem, os sintomas podem incluir:
- Tosse persistente ou mudança no padrão habitual da tosse;
- Dor ou desconforto no peito;
- Falta de ar;
- Perda de peso sem causa aparente;
- Cansaço persistente;
- Tosse com sangue, chamada hemoptise.
Essas manifestações também podem ocorrer em outras doenças. Quando persistem ou se agravam, devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
Tratamento e dignóstico
O diagnóstico do câncer de pulmão é feito com base em achados de radiografia de tórax ou tomografia computadorizada de tórax e é confirmado por biópsia. Dependendo da fase da doença, o tratamento inclui cirurgia, terapia sistêmica, radioterapia ou uma combinação
A escolha da abordagem depende da confirmação do tipo de tumor e da avaliação de sua extensão, para determinar se a doença está restrita ao pulmão ou se atingiu outros órgãos.
Quando o câncer é identificado em estágio inicial, especialmente sem comprometimento dos linfonodos do mediastino — região localizada entre os pulmões —, a cirurgia costuma ser uma das principais opções de tratamento.
Conforme as características do tumor, o procedimento pode ser complementado por quimioterapia e, em situações específicas, radioterapia.
Nos casos em que a doença envolve o pulmão e os linfonodos próximos, mas não há metástases em órgãos distantes, a estratégia é individualizada. O plano terapêutico pode combinar quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e cirurgia, de acordo com o quadro clínico e as características do tumor.
Quando há metástases distantes, o tratamento geralmente busca controlar a doença, prolongar a sobrevida e preservar a qualidade de vida. Nesse caso, podem ser utilizados medicamentos que atuam em todo o organismo, como quimioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo, conforme as características do câncer.
Em todas as fases, o cuidado deve incluir medidas para reduzir o desconforto e preservar o bem-estar do paciente, com atenção especial a manifestações como dor e falta de ar.
Manual anticâncer: 14 formas de evitar a doença
Fonte: saude.abril.com.br









