{"id":1168,"date":"2026-09-25T16:55:35","date_gmt":"2026-09-25T19:55:35","guid":{"rendered":"https:\/\/thaisromano.com.br\/blog\/setembro-amarelo-como-ajudar-alguem-que-esta-passando-por-um-momento-dificil\/"},"modified":"2026-09-25T22:26:06","modified_gmt":"2026-09-26T01:26:06","slug":"setembro-amarelo-como-ajudar-alguem-que-esta-passando-por-um-momento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/thaisromano.com.br\/blog\/setembro-amarelo-como-ajudar-alguem-que-esta-passando-por-um-momento\/","title":{"rendered":"Setembro Amarelo: como ajudar algu\u00e9m que est\u00e1 passando por um momento dif\u00edcil"},"content":{"rendered":"<p>Uma an\u00e1lise publicada no ano passado no <em><a href=\"https:\/\/www.jaacap.org\/article\/S0890-8567(22)01981-5\/abstract\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Journal of the American Academy of Child &amp; Adolescent Psychiatry<\/a><\/em> reuniu dados de diferentes pa\u00edses e mostrou que 14% dos adolescentes de 12 a 17 anos entrevistados haviam pensado sobre<strong> tirar a pr\u00f3pria vida<\/strong> nos 12 meses anteriores \u00e0 pesquisa. No mesmo per\u00edodo, 9% relataram sintomas de ansiedade.<\/p>\n<p>Outro <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/38859550\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo<\/a>, realizado na Austr\u00e1lia com 15 mil adultos, apontou que 16,6% dos participantes haviam apresentado <strong>idea\u00e7\u00e3o suicida<\/strong> em algum momento da vida.<\/p>\n<div class=\"noreadme-audima ads video-ads\">\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext_video\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Pensamentos sobre a pr\u00f3pria morte s\u00e3o, portanto, mais <strong>comuns do que muitos imaginam<\/strong>, especialmente entre pessoas que vivenciam quadros psiqui\u00e1tricos como a <a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/tudo-sobre\/depressao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">depress\u00e3o<\/a> e <a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/tudo-sobre\/ansiedade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ansiedade<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os fatores por tr\u00e1s disso s\u00e3o diversos. &#8220;A gente tem que olhar para fatores sist\u00eamicos que est\u00e3o ligados ao sofrimento, como os <a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/o-que-esta-por-tras-da-sua-saude-lider-da-oms-revela-fator-invisivel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>determinantes sociais da sa\u00fade<\/strong>,<\/a> os contextos de oportunidade, de acesso a condi\u00e7\u00f5es que d\u00e3o um n\u00edvel de qualidade e dignidade para as pessoas&#8221;, diz a a docente Kelly Giacchero Vedana, da Escola de Enfermagem da Universidade de S\u00e3o Paulo de Ribeir\u00e3o Preto (EERP-USP), respons\u00e1vel pelo Centro de Educa\u00e7\u00e3o em Preven\u00e7\u00e3o e Posven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio (CEPS).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em quadros t\u00e3o complexos, as medidas n\u00e3o devem ser restritas \u00e0 individualidade. Mas, e<\/span>mbora o cuidado n\u00e3o possa ser reduzido \u00e0 a\u00e7\u00e3o individual de amigos e familiares, a<strong> presen\u00e7a de pessoas pr\u00f3ximas<\/strong> pode fazer diferen\u00e7a para quem atravessa um per\u00edodo de sofrimento intenso.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads noreadme-audima\">\n    <span class=\"title\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/span><\/p>\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext\"><\/div>\n<\/div>\n<p>E como oferecer esse apoio sem invadir, julgar ou minimizar o que o outro est\u00e1 vivendo? Especialistas ouvidas por VEJA SA\u00daDE explicam.<\/p>\n<h2>O cuidado come\u00e7a antes da crise<\/h2>\n<p>A idea\u00e7\u00e3o suicida<strong> quase nunca surge de forma isolada<\/strong>. Em muitos casos, est\u00e1 relacionada a um <strong>sofrimento ps\u00edquico<\/strong> que pode ser identificado e tratado.<\/p>\n<p>\u201cQuando falamos de depress\u00e3o, ansiedade ou outros transtornos, o cuidado come\u00e7a <strong>muito antes da crise<\/strong>, no rompimento do <a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/familia\/entre-o-individual-e-o-coletivo-a-minha-a-sua-a-nossa-saude\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estigma<\/a> em torno dos transtornos mentais, os quais s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas reais, com crit\u00e9rios diagn\u00f3sticos e tratamentos baseados em evid\u00eancias\u201d, diz a psic\u00f3loga Raquel Antoniassi, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos e Preven\u00e7\u00e3o do Suic\u00eddio (ABEPS).<\/p>\n<p>Isso significa que o apoio <strong>n\u00e3o precisa come\u00e7ar apenas quando algu\u00e9m verbaliza<\/strong> pensamentos sobre a pr\u00f3pria morte.<\/p>\n<p>Na verdade, estar atento ao bem-estar de pessoas pr\u00f3ximas, manter v\u00ednculos e abrir espa\u00e7o para conversas sobre como elas est\u00e3o se sentindo<strong> tamb\u00e9m faz parte da preven\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads noreadme-audima\">\n    <span class=\"title\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/span><\/p>\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext\"><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>+Leia tamb\u00e9m:\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/coluna\/falar-inspira-vida\/antes-que-seja-tarde-a-prevencao-do-suicidio-entre-os-mais-jovens\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Antes que seja tarde: a preven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio entre os mais jovens<\/a><\/strong><\/p>\n<h2>Quais s\u00e3o os sinais de alerta?<\/h2>\n<p>Prever se uma pessoa vai tentar tirar a pr\u00f3pria vida <strong>\u00e9 muito dif\u00edcil<\/strong>. Por isso, as especialistas recomendam n\u00e3o transformar a identifica\u00e7\u00e3o de sinais em uma esp\u00e9cie de teste para determinar quem est\u00e1 ou n\u00e3o em risco.<\/p>\n<p>\u201cA gente <strong>n\u00e3o vai ter um poder preditivo<\/strong> de saber distinguir quem vai ou n\u00e3o vai tentar suic\u00eddio. Ent\u00e3o, a gente n\u00e3o vai excluir pessoas que estejam precisando de apoio e talvez n\u00e3o tenham falado diretamente sobre tirar a vida\u201d, comenta Vedana.<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 preciso estar sempre atento aos sinais de algu\u00e9m est\u00e1 enfrentando um <strong>sofrimento importante<\/strong>.\u00a0Entre elas est\u00e3o altera\u00e7\u00f5es repentinas de <strong>humor<\/strong> ou <strong>comportamento<\/strong>, como isolamento repentino, menor cuidado consigo mesmo, altera\u00e7\u00f5es no sono ou no apetite, agita\u00e7\u00e3o, apatia e aumento do consumo de \u00e1lcool ou outras drogas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m merecem aten\u00e7\u00e3o falas sobre morte, sobre estar sobrecarregado, sobre falta de sentido ou sobre n\u00e3o enxergar uma sa\u00edda para alguma situa\u00e7\u00e3o vivida.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads noreadme-audima\">\n    <span class=\"title\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/span><\/p>\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A <strong>desesperan\u00e7a<\/strong> \u00e9 um elemento importante. Frases como \u201c<strong>n\u00e3o tem mais jeito<\/strong>\u201d ou \u201csou um peso para os outros\u201d podem indicar um sofrimento intenso.<\/p>\n<p>Existem, ainda, os sinais mais diretos, como a pr\u00f3pria pessoa falar sobre desejo de morrer ou desaparecer. Isso pode surgir tanto de maneira expl\u00edcita quanto em frases como \u201cem breve, <strong>n\u00e3o vou estar mais aqui<\/strong>\u201d ou \u201c<strong>quero sumir<\/strong>\u201d. A busca por meios para se ferir tamb\u00e9m \u00e9 um sinal de alerta.<\/p>\n<p>Outro ponto importante \u00e9 uma aparente<strong> calma repentina<\/strong> depois de um per\u00edodo de sofrimento intenso. \u201cN\u00e3o \u00e9 melhora, \u00e9 um alerta\u201d, considera Antoniassi.\u00a0Mas \u00e9 importante n\u00e3o depender apenas da identifica\u00e7\u00e3o desses sinais, afinal, nem sempre eles estar\u00e3o vis\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cMuitas pessoas vivem uma dor profunda de forma silenciosa, escondendo o que sentem por vergonha, culpa ou mesmo desejo de poupar quem amam\u201d, alerta a psic\u00f3loga.<\/p>\n<p>Por isso, cultivar v\u00ednculos, manter <a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/coluna\/com-a-palavra\/setembro-amarelo-o-que-a-prevencao-do-suicidio-exige-de-cada-um-de-nos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">conversas frequentes<\/a> e demonstrar interesse genu\u00edno pelo outro s\u00e3o formas de fortalecer uma rede de apoio sem depender de sinais de alerta.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads noreadme-audima\">\n    <span class=\"title\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/span><\/p>\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext\"><\/div>\n<\/div>\n<h2>Qual \u00e9 a melhor forma de conversar?<\/h2>\n<p>Na tentativa de consolar algu\u00e9m que amamos, \u00e9 comum acabarmos tentando <strong>oferecer\u00a0solu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas<\/strong>, o que pode ainda nos fazer tender pro lado da &#8220;<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/coluna\/com-a-palavra\/existe-receita-para-a-felicidade-veja-reflexoes-de-monja-coen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">positividade t\u00f3xica<\/a>\u201d, com frases que tentam fazer a pessoa enxergar imediatamente o lado bom da vida.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que esse tipo de resposta pode invalidar aquilo que a outra pessoa est\u00e1 sentindo.<\/p>\n<p>Para as especialistas, ajudar n\u00e3o significa necessariamente tirar uma solu\u00e7\u00e3o da cartola ou ter um conselho na ponta da l\u00edngua. Muitas vezes, o primeiro passo \u00e9, simplesmente, estar presente e reconhecer o sofrimento.<\/p>\n<p>\u201cO que dizer \u00e9, antes de tudo, uma quest\u00e3o de presen\u00e7a e valida\u00e7\u00e3o. Frases como \u2018<strong>estou aqui com voc\u00ea<\/strong>\u2019, \u2018<strong>eu me importo com voc\u00ea e estou preocupado<\/strong>\u2019, \u2018<strong>eu vejo que voc\u00ea est\u00e1 sofrendo muito, e isso \u00e9 real<\/strong>\u2019, <strong>\u2018voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 sozinho nisso<\/strong>\u2019 e \u2018<strong>vamos encontrar ajuda juntos<\/strong>\u2019 transmitem acolhimento sem prometer solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas\u201d, diz Antoniassi.<\/p>\n<p>Vale dizer que esse acolhimento pode ser suficiente para abrir espa\u00e7o para uma conversa, mas n\u00e3o substitui o <a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/precisa-conversar-onde-buscar-apoio-emocional-gratuito-no-brasil-inclusive-24-horas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">atendimento especializado<\/a> quando existe um sofrimento persistente ou uma preocupa\u00e7\u00e3o maior com a seguran\u00e7a da pessoa.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads noreadme-audima\">\n    <span class=\"title\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/span><\/p>\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext\"><\/div>\n<\/div>\n<h2>Posso perguntar diretamente se algu\u00e9m est\u00e1 pensando em suic\u00eddio?<\/h2>\n<p>O receio de tocar no assunto ainda \u00e9 comum. H\u00e1 quem tema que perguntar diretamente possa induzir a pessoa a pensar sobre o tema ou aumentar o risco. As especialistas, por\u00e9m, ressaltam que uma abordagem acolhedora e direta <strong>n\u00e3o aumenta esse risco<\/strong>.<\/p>\n<p>&#8220;Falar abertamente sobre o assunto pode justamente criar espa\u00e7o para que a pessoa conte o que est\u00e1 vivendo. <strong>O que piora \u00e9 o sil\u00eancio<\/strong>, o julgamento e a minimiza\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Antoniassi.<\/p>\n<p>Mas a abordagem, \u00e9 claro, <strong>n\u00e3o deve ser feita de qualquer jeito<\/strong>. Vedana recomenda come\u00e7ar a conversa por quest\u00f5es mais amplas, como a rotina, o estado emocional e os planos para o futuro. A ideia \u00e9 construir um ambiente no qual a pessoa se<strong> sinta segura<\/strong> para falar.<\/p>\n<p>\u201cGeralmente, a gente come\u00e7a conversando sobre temas um pouquinho anteriores, para permitir, inclusive, que esse assunto venha de uma forma mais confort\u00e1vel. Ent\u00e3o, eu pergunto como est\u00e1 a pessoa, como est\u00e1 a rotina dela, como ela tem se sentido, quais s\u00e3o os planos dela para o futuro, por exemplo.\u201d<\/p>\n<p>Se a preocupa\u00e7\u00e3o com a seguran\u00e7a da outra pessoa persistir, <strong>\u00e9 poss\u00edvel fazer uma pergunta mais direta<\/strong>. \u201cEu posso perguntar: \u2018Voc\u00ea tem feito algo ou pensado em fazer algo que possa te prejudicar de alguma forma?\u2019\u201d, exemplifica Vedana.<\/p>\n<p>\u201cEu posso ir chegando de uma forma um pouco mais acolhedora, mas \u00e9 importante abordar diretamente para a gente <a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/mente-saudavel\/depressao-e-suicidio-ainda-sao-tabus-para-os-homens-e-jovens-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>n\u00e3o refor\u00e7ar os tabus<\/strong> <\/a>e os medos em torno do tema\u201d, diz a coordenadora do CEPS\/USP.<\/p>\n<h2>O que N\u00c3O fazer?<\/h2>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas armadilhas especialmente importantes, segundo Antoniassi: <strong>minimizar<\/strong>, <strong>moralizar<\/strong> e <strong>ordenar<\/strong>.<\/p>\n<p>Minimizar \u00e9 responder a uma dor profunda com frases como \u201c<strong>n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grave assim<\/strong>\u201d ou \u201c<strong>tem gente em situa\u00e7\u00e3o pior<\/strong>\u201d. Em vez de acolher, esse tipo de resposta pode fazer a pessoa sentir que seu sofrimento n\u00e3o \u00e9 leg\u00edtimo.<\/p>\n<p>Moralizar significa recorrer a frases como \u201c<strong>pense na sua fam\u00edlia<\/strong>\u201d ou \u201c<strong>voc\u00ea tem tanta coisa boa na vida<\/strong>\u201d. Embora possam parecer tentativas de lembrar raz\u00f5es para viver, elas podem produzir <strong>culpa<\/strong> e afastar a pessoa.<\/p>\n<p>Ordenar, por sua vez, \u00e9 dizer \u201c<strong>anima<\/strong>\u201d, \u201c<strong>reage<\/strong>\u201d ou \u201c<strong>deixa disso<\/strong>\u201d. S\u00e3o frases que pressup\u00f5em que basta uma mudan\u00e7a de atitude para interromper um sofrimento que pode ser muito mais complexo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 recomendado tentar convencer algu\u00e9m por meio de uma lista de motivos para continuar vivendo. \u201cNingu\u00e9m \u2018argumenta\u2019 algu\u00e9m para fora do sofrimento\u201d, afirma Antoniassi.<\/p>\n<p>Outro ponto importante \u00e9 reconhecer que, por mais que tenhamos <a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/coluna\/check-up-com-sidney-klajner\/ter-compaixao-faz-bem-a-saude\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">empatia<\/a>, n\u00e3o conseguimos enxergar exatamente a dor das outras pessoas.<\/p>\n<p>\u201cPor mais que a vida da pessoa possa parecer perfeita ou sem justificativa para um sofrimento desse tamanho, a gente n\u00e3o consegue perceber exatamente o que ela sente\u201d, diz Vedana.<\/p>\n<p>E h\u00e1 um ponto que pode parecer contraintuitivo. \u00c9 preciso ter cuidado com <strong>promessas de segredo<\/strong>. Se houver risco \u00e0 vida, a <strong>prote\u00e7\u00e3o<\/strong> deve vir antes do compromisso de manter a informa\u00e7\u00e3o em sigilo.<\/p>\n<p>Uma possibilidade \u00e9 explicar isso de forma transparente: \u201cDiga: vou te acompanhar, mas, em situa\u00e7\u00e3o de risco, vou buscar ajuda com voc\u00ea\u201d, orienta Antoniassi.<\/p>\n<h2>O que fazer diante de uma situa\u00e7\u00e3o de risco extrema?<\/h2>\n<p>Em uma crise aguda, uma das prioridades \u00e9 n\u00e3o deixar a pessoa sozinha e reduzir, sempre que poss\u00edvel e de forma segura, o acesso a meios que possam ser utilizados para causar uma les\u00e3o.<\/p>\n<p>Outra estrat\u00e9gia \u00e9 construir um <strong>plano de seguran\u00e7a<\/strong>, identificando sinais de alerta, poss\u00edveis gatilhos, pessoas de confian\u00e7a, lugares seguros e contatos que possam ser acionados em uma emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>Acompanhar a pessoa na busca por atendimento tamb\u00e9m pode ajudar. Isso pode significar oferecer-se para ir junto a uma consulta, a um Centro de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (CAPS) ou a um servi\u00e7o de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>Depois, manter contato \u2014 por telefone, mensagem ou presencialmente \u2014 ajuda a<strong> sustentar a rede de apoio<\/strong>.<\/p>\n<p>&#8220;Em situa\u00e7\u00f5es de crise, o objetivo n\u00e3o \u00e9 encontrar sozinho a solu\u00e7\u00e3o para o sofrimento, mas transformar a preocupa\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00f5es concretas e seguras&#8221;, diz Antoniassi.<\/p>\n<h2>Primeiros socorros em sa\u00fade mental<\/h2>\n<p>Ainda pensando em momentos agudos, \u00e9 poss\u00edvel recorrer ao que os especialistas chamam &#8220;primeiros socorros em sa\u00fade mental&#8221;. Esta \u00e9 uma abordagem de acolhimento que pode ser realizada por qualquer pessoa que tenha treinamento m\u00ednimo para isso.<\/p>\n<p>A proposta \u00e9 oferecer uma <strong>resposta inicial<\/strong>, segura e acolhedora diante de uma situa\u00e7\u00e3o de sofrimento, sem substituir o atendimento de profissionais especializados.<\/p>\n<p>Segundo Vedana, o m\u00e9todo utilizado por seu grupo de pesquisa, um m\u00e9todo desenvolvido pela <strong>Johns Hopkins University<\/strong>, \u00e9 sintetizado pelo acr\u00f4nimo <strong>RAPID<\/strong>, que re\u00fane cinco etapas:<\/p>\n<ol>\n<li>R \u2014 Rapport: estabelecer uma <strong>rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e escuta<\/strong>, oferecendo \u00e0 pessoa seguran\u00e7a, privacidade e um ambiente sem julgamentos.<\/li>\n<li>A \u2014 Avalia\u00e7\u00e3o: <strong>compreender<\/strong> o que est\u00e1 acontecendo e verificar se existe algum risco que exija encaminhamento mais r\u00e1pido para suporte profissional. Essa etapa tamb\u00e9m pode envolver a identifica\u00e7\u00e3o de outras situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia ou da necessidade de suporte tempor\u00e1rio.<\/li>\n<li>P \u2014 Prioridades: entender <strong>como a pessoa deseja ser ajudada<\/strong>, respeitar seus limites e identificar suas principais preocupa\u00e7\u00f5es e o que poderia faz\u00ea-la se sentir mais segura.<\/li>\n<li>I \u2014 Interven\u00e7\u00e3o: ajudar a pessoa a pensar em <strong>formas de lidar com a situa\u00e7\u00e3o<\/strong>, comunicar suas necessidades, identificar quem pode oferecer apoio e encontrar alternativas que tragam al\u00edvio ou seguran\u00e7a sem causar danos.<\/li>\n<li>D \u2014 Disposi\u00e7\u00e3o de recursos: disponibilizar <strong>informa\u00e7\u00f5es sobre servi\u00e7os<\/strong> e outras formas de suporte que a pessoa possa procurar naquele momento ou posteriormente. Tamb\u00e9m significa mostrar que ela pode voltar a conversar ou procurar ajuda caso a situa\u00e7\u00e3o mude.<\/li>\n<\/ol>\n<h2>Como incentivar algu\u00e9m a buscar ajuda?<\/h2>\n<p>Essa tarefa, por\u00e9m, nem sempre \u00e9 f\u00e1cil. Mas, segundo as especialistas, isso n\u00e3o significa vencer resist\u00eancias, mas sim abrir possibilidades.<\/p>\n<p>Uma das estrat\u00e9gias \u00e9 <strong>normalizar o cuidado<\/strong>. Em vez de tratar a busca por atendimento como sinal de fraqueza, apresent\u00e1-la como uma<strong> forma de cuidar da pr\u00f3pria sa\u00fade<\/strong>. Oferecer companhia tamb\u00e9m pode diminuir uma barreira: \u201cEu vou com voc\u00ea. Voc\u00ea n\u00e3o precisa ir sozinho\u201d, exemplifica Antoniassi.<\/p>\n<p>Se a pessoa n\u00e3o quiser procurar um <a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/mente-saudavel\/quando-devo-procurar-um-psiquiatra-entenda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">psiquiatra<\/a>, por exemplo, pode aceitar conversar primeiro com um psic\u00f3logo, m\u00e9dico de fam\u00edlia ou grupo de apoio. Quer dizer, precisamos mostrar que h\u00e1 diferentes portas de entrada que podem levar ao cuidado.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pode ser \u00fatil envolver algu\u00e9m de confian\u00e7a que a pessoa respeite. E \u00e9 importante reconhecer os <strong>pr\u00f3prios limites<\/strong>: \u201cEu n\u00e3o sou profissional de sa\u00fade. Sou algu\u00e9m que se importa com voc\u00ea. Deixe eu te ajudar a encontrar quem pode te cuidar\u201d, diz a psic\u00f3loga.<\/p>\n<p>For\u00e7ar ou amea\u00e7ar, por outro lado, <strong>pode aumentar o afastamento<\/strong>. A recusa ao atendimento pode estar relacionada a medo, vergonha ou desesperan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao tratamento. Por isso, acolher essa resist\u00eancia e apresentar alternativas pode abrir mais caminhos do que confront\u00e1-la.<\/p>\n<p>H\u00e1, por\u00e9m, situa\u00e7\u00f5es em que a prioridade muda, vale dizer. Quando existe <strong>risco iminente<\/strong>, plano e inten\u00e7\u00e3o claros, acesso a meios, comportamento muito agitado ou desorganizado, incapacidade de garantir a pr\u00f3pria seguran\u00e7a, tentativa recente ou autoagress\u00e3o grave, \u00e9 necess\u00e1rio buscar atendimento de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>Nessas circunst\u00e2ncias, servi\u00e7os como Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), pronto-socorros e o Servi\u00e7o de Atendimento M\u00f3vel de Urg\u00eancia (SAMU), pelo telefone 192, podem ser acionados.<\/p>\n<h2>E depois de uma crise?<\/h2>\n<p>O apoio<strong> n\u00e3o termina quando a crise passa<\/strong>. Ao mesmo tempo, amigos e familiares n\u00e3o precisam \u2014 e n\u00e3o devem \u2014 assumir o papel de terapeutas.<\/p>\n<p>O papel de quem est\u00e1 pr\u00f3ximo \u00e9 manter o v\u00ednculo, oferecer presen\u00e7a e incentivar a continuidade do tratamento, sem transformar cada conversa em uma cobran\u00e7a.<\/p>\n<p>E aqui tamb\u00e9m \u00e9 importante estabelecer limites. \u00c9 poss\u00edvel se importar profundamente com algu\u00e9m sem estar dispon\u00edvel 24 horas por dia. Dividir o cuidado com outros familiares, amigos e profissionais evita que toda a responsabilidade recaia sobre uma \u00fanica pessoa.<\/p>\n<p>&#8220;Quem apoia algu\u00e9m em sofrimento tamb\u00e9m precisa de suporte. Cuidar de quem cuida faz parte da pr\u00f3pria rede de prote\u00e7\u00e3o&#8221;, considera a psic\u00f3loga.<\/p>\n<h2>Onde buscar ajuda?<\/h2>\n<p>No Brasil, o <strong>Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida (CVV)<\/strong> oferece escuta pelo telefone <strong>188<\/strong>, gratuitamente, 24 horas por dia. O servi\u00e7o tamb\u00e9m disponibiliza atendimento por canais digitais. A conversa com o CVV \u00e9 uma forma de acolhimento e n\u00e3o substitui o acompanhamento de profissionais de sa\u00fade quando ele \u00e9 necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Na rede p\u00fablica, as <strong>Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade (UBS)<\/strong> podem fazer o acolhimento inicial e orientar o encaminhamento, enquanto os<strong> Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (CAPS)<\/strong> integram a rede de cuidado em sa\u00fade mental.<\/p>\n<p><strong>+Leia tamb\u00e9m:\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/precisa-conversar-onde-buscar-apoio-emocional-gratuito-no-brasil-inclusive-24-horas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Precisa conversar? Onde buscar apoio emocional gratuito no Brasil, inclusive 24 horas<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel procurar uma UPA ou pronto-socorro ou acionar o SAMU, pelo 192.<\/p>\n<p>Na rede privada, psic\u00f3logos, psiquiatras e outros profissionais de sa\u00fade mental tamb\u00e9m podem oferecer acompanhamento.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o existe uma \u00fanica porta de entrada para o cuidado<\/strong>. O mais importante \u00e9 que a pessoa n\u00e3o precise esperar o sofrimento chegar ao limite para procurar ajuda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"ads after-text noreadme-audima\">\n    <span class=\"title\">Publicidade<\/span><\/p>\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"aftertext\" data-mapping=\"intext\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"fonte-original\"><em>Fonte: <a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/setembro-amarelo-como-ajudar-alguem-que-esta-passando-por-um-momento-dificil\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">saude.abril.com.br<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Profissionais explicam como apoiar pessoas em sofrimento ps\u00edquico que pensam em suic\u00eddio indo al\u00e9m de conselhos superficiais<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":1169,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1168","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nutricao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/thaisromano.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1168","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/thaisromano.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/thaisromano.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/thaisromano.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1168"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/thaisromano.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1168\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1170,"href":"https:\/\/thaisromano.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1168\/revisions\/1170"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/thaisromano.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1169"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/thaisromano.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1168"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/thaisromano.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1168"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/thaisromano.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1168"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}